19/02/2010 - 18:02
O fortalecimento da Eletrobrás, mencionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se refere apenas a investimentos em usinas ou linhas de transmissão, mas também à imagem da companhia. O argumento usado pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ao justificar que no mês que vem será lançada a nova logomarca da holding estatal. Além disso, o nome Eletrobrás passará a ser usado também pelas subsidiárias, em uma tentativa de unificar a marca do grupo. "Todas as subsidiárias terão a mesma marca. Vão se chamar, por exemplo, Eletrobrás-Eletronuclear, Eletrobrás-Chesf", disse o ministro.
Lobão informou, também, que a capitalização da Eletrobrás, por meio da emissão de novas ações, ainda está em estudo no governo. "Não está descartada, pode ter ainda emissão de ações. Está em estudo", disse. Os rumores sobre uma eventual capitalização da estatal ganhou força há algumas semanas, nas vésperas do anúncio do pagamento dos dividendos atrasados da companhia. Mas a companhia acabou anunciando que faria o pagamento dos R$ 10 bilhões atrasados com recursos do caixa, em quatro parcelas anuais até 2013.
De acordo com o ministro, a empresa já foi, no passado, a maior do Brasil, maior até mesmo que a Petrobras. "Depois, ela foi ao chão e, com o governo Lula, retomamos a grandiosidade dela", disse. "O presidente tem toda a razão quando nos determina que transformemos a Eletrobrás em uma grande empresa, uma holding capaz de atender às necessidades do povo brasileiro."
Lobão mencionou a Lei 11.651, de abril de 2008, que abriu para a estatal a possibilidade de fazer investimentos no exterior e lembrou que a empresa já negocia a construção de hidrelétricas no Peru, Argentina, Nicarágua, Bolívia e Guiana.
Apesar de essa mesma lei ter também aberto a possibilidade de a companhia passar a ser majoritária em consórcios com empresas privadas no Brasil, Lobão assegurou que a participação do grupo na futura usina de Belo Monte (PA) será minoritária. "A participação da Eletrobrás em Belo Monte não chegará a 50%", disse.
Entre os planos para aumentar a musculatura da estatal está, inclusive, o de construir um prédio próprio para a empresa. Hoje, a sede da estatal no Rio de Janeiro é alugada e, segundo Lobão, a intenção é investir R$ 300 milhões para erguer um edifício próprio nas proximidades da Avenida Chile, no centro do Rio.
Se confirmada a obra, a nova sede de Eletrobrás será praticamente vizinha dos prédios de outros dois gigantes do Estado brasileiro: a Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Sobre a importação de gasolina pela Petrobras, o ministro disse que trata-se de uma medida momentânea. "É conjuntural, devido à dificuldade na produção de etanol. A normalidade logo será retomada", afirmou.
Setor Privado
O fortalecimento da Eletrobrás não é uma preocupação para o setor privado. A idéia de reestruturar as finanças da estatal e dar condições para que possa ampliar seus investimentos conta até mesmo com boa receptividade de grupos como a Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage). "Acho legítimo o governo pretender que a Eletrobrás tenha, igual à Petrobrás, uma força de vida e de investimentos", disse Flávio Neiva, presidente da entidade.
A faxina financeira que o governo vem promovendo na estatal desde o ano passado deve abrir espaço para que a empresa fortaleça sua presença tanto no mercado local, quanto externo. Para Neiva, a perspectiva de integração energética na América do Sul é um dos fatores que contribuem para a avaliação positiva sobre a recuperação da Eletrobrás.
César de Barros Pinto, diretor-executivo da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia (Abrate), concorda que o processo de integração no continente é "inevitável", considerando os ganhos que podem ser obtidos e o próprio histórico de expansão do setor. "Se a Eletrobrás puder cumprir um papel importante nesse processo na América Latina será excelente."
Para o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, o fortalecimento da Eletrobrás é bem-vindo, mas pondera que os investimentos da companhia devem gerar valor para a sociedade. Sales comentou ainda que em projetos de grandes usinas hidrelétricas, "que sofrem tantos obstáculos de natureza formal", como dificuldades no licenciamento ambiental e disputas na Justiça, "a participação minoritária de uma estatal, no atual estado do setor, pode ajudar no tratamento das questões".
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