18/11/2009 - 18:11
O real é uma vítima do sucesso econômico do país. Durante o ano, a moeda registrou uma valorização média de 30%. "A taxa de câmbio chegou a R$ 1,70 nos últimos meses, mas o contínuo fluxo de capitais está ameaçando com reavaliação monetária adicional", alerta o Alfredo Coutino, diretor para a América Latina, da Moody"s. Ele lembra que a cotação de R$ 2,60 por dólar foi mencionada como um instrumento para melhor competitividade das exportações brasileiras em relação às asiáticas.
"É verdade que uma paridade de R$ 2,60 irá certamente dar a moeda brasileira um nível de subvalorização, mais do que suficiente, para competir com as exportações asiáticas. Na verdade, a principal vantagem seria que a depreciação tornaria as exportações brasileiras mais barato para o resto do mundo, assim, impulsionar o crescimento econômico brasileiro", ressalta.
No entanto, o economista da Moody"s alerta que esse tipo de manipulação da depreciação da moeda teria três grandes desvantagens para o Brasil. Em primeiro lugar, a taxa de câmbio oferece uma transição para competitividade das exportações, já que não é baseada em dados reais. Desta forma o aumento das vendas externas seria artificial e temporário. Em segundo lugar, uma vez que a desvalorização da moeda iria incentivar as exportações, a economia seria mais dependente da demanda externa e menos no mercado interno, tornando a economia mais vulnerável aos choques externos. Por último, uma maior depreciação sempre resulta em aumento da inflação, dada a moeda "de passagem" para os preços ao consumidor.
"Agora, o que é verdadeiro é o fato de que uma paridade de R$ 2,60 por dólar coloca o real brasileiro de volta ao patamar registrado no início de 2005. Isto implica que a moeda exige uma "manipulada" depreciação de 50% em relação à paridade real. No entanto, esta taxa de amortização é muito acima do que o modelo de paridade do poder de compra diria, principalmente porque a inflação média para o Brasil no período 2005-2009 foi de apenas 25%, apenas metade da depreciação sugerido", destaca Coutino.
De acordo com ele, uma moeda mais competitiva é sempre desejada pelos governos, mas não "há almoço grátis", ou seja, se por um lado, a economia ganha, por outro perde. "Uma paridade de equilíbrio específico tem muita especulação, particularmente porque essas estimativas são baseadas em modelos teóricos, cujos resultados dependem do ano de referência utilizado para o cálculo", ressalta o diretor da Moody"s.
Todos os direitos reservados ao Jornal Monitor Mercantil.
Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuido sem prévia autoriização.