08/10/2009 - 16:10

A Vale, a CPFL e a Neoenergia estão costurando a formação de um consórcio para disputar o leilão da licitação da hidrelétrica Belo Monte (PA), previsto para este final de ano. A informação foi dada hoje por Sérgio Rosa, presidente da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que faz parte do bloco de controle das três companhias.
- As empresas estão interessadas e conversando entre si - afirmou.
Segundo ele, o grupo franco-belga Suez não estaria no consórcio, como chegou a ser noticiado pela imprensa. Entretanto, o executivo não descartou a possibilidade de outras empresas entrarem no consórcio que vem sendo montado.
- Nesse momento não tem mais gente, mas pode ser que mais à frente entrem outros - disse.
O diretor de participações da Previ, Joilson Ferreira, lembra que a entrada das três companhias em um mesmo consórcio eliminaria possíveis conflitos de interesse da fundação no processo.
- Para a Previ é bem mais confortável elas estarem juntas -, disse. O diretor explica que se elas entrarem separadamente na disputa, o fundo terá problemas na hora de definir o lance de cada consórcio.
Já Sérgio Rosa considera desnecessário o aumento dos gastos com publicidade que a mineradora Vale tem realizado nos últimos meses. O fundo de pensão é o maior acionista da companhia e divide com a Bradespar, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a trading japonesa Mitsui o bloco de controle da empresa.
- Não precisa tanto - revelou o executivo.
Para ex-presidente da Aneel, Belo Monte é de extrema importância para o setor
O ex-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, ressaltou ontem a importância da usina de Belo Monte para o parque gerador brasileiro. Na sua opinião, essa unidade "é um marco importante para tornar o Brasil mais competitivo em termos de custo de produção de energia elétrica"
O especialista também fez questão de frisar que, em função das chuvas abundantes, o fornecimento de energia elétrica está garantido para os próximos, sem a necessidade da utilização das usinas termelétricas.
- Há uma sobre oferta de capacidade de geração e energia. Além disso, também estamos com os reservatórios cheiros. E isso é bom para o consumidor.
Kelman, que lançou ontem o seu livro "Desafios do Regulador, na Associação comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), explicou que a utilização de termelétricas são feitas quando os reservatórios estão em baixa, o que não ocorre no momento atual.
- É como se as termelétricas fossem alugadas. Elas só são acionadas quando o estoque de água está em baixa. Mas, como os reservatórios estão cheios, é do interesse do consumidor que essas térmicas não funcionem, porque quem paga a conta é o próprio consumidor.
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