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Ana Borges

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25/09/2009 - 16:09

As dimensões do risco


 

Fretwell: há um controle forte para a criação de novos produtos e o perfil é mais conservador

 


Já diz o ditado que depois da tempestade... Mas, no caso do mercado financeiro, a maresia ainda não chegou. Ao contrário, o mundo dos negócios está agitado e investidores cautelosos, mesmo diante da melhora do quadro econômico. Quem não ficou temeroso depois de ver bancos, aparentemente sólidos, quebrarem ou perdas milionárias com derivativos que quase extinguiram duas grandes companhias brasileiras? Neste cenário, depois de ter sido deixada de lado, por um longo tempo, ganha peso a gestão de risco.

A cultura de gerenciamento de riscos é muito mais complexa do que se imagina e deve estar nas mãos do alto escalão das empresas. Quem alerta é o especialista na área Phillip Fretwell (foto), um dos mais renomados consultores em gerenciamento de risco dos EUA e um dos fundadores da Protiviti, consultoria especializada em auditoria interna, governança corporativa, gerenciamento de riscos e melhoria de processos de negócios. Ele esteve no Brasil para participar da 18ª edição do Congresso Latino-americano de Auditoria, Segurança da Informação e Governança em TI .

De acordo com Fretwell, após um ano da chegada do furacão econômico que atingiu o mundo, as palavras de ordem são: reestruturação e prevenção. As mudanças diante dos fracassos passados são inúmeras e um delas passa pelo papel do Conselho de Administração, hoje muito mais preocupado com o gerenciamento de risco.

- O papel do Conselho cresce. As empresas passaram a ver riscos que nem imaginavam que existiam. Antes falava-se apenas em risco de crédito. Hoje, quando fazem uma análise geral, vêem o risco como um todo e existe um grande número de envolvidos - explica.

O especialista ressalta que o primeiro passo a ser dado pela alta administração é estabelecer e identificar os riscos e as áreas responsáveis. A partir daí há a definição do processo de análise. Os riscos são avaliados de acordo com a probabilidade de ocorrência e o impacto que podem causar nos negócios da companhia.

- Os mais graves são aqueles mais prováveis e de elevado impacto, mas existem aqueles pouco prováveis e com impacto enorme que não podem ser deixados de lado. O processo envolve muito julgamento - explica.

Depois desta ponderação, os gestores devem permanecer atentos e não simplesmente delegarem o problema para as gerências ou pessoas com pouca experiência.

Ele lembra que é em momentos assim que as companhias passam a analisar e olhar melhor os riscos operacionais de forma a não repetirem os problemas do passado.

Os bancos passaram a ser muito mais criteriosos na hora de conceder o crédito e vai demorar, pelo menos para que o nível de crédito no mundo volte a se aproximar dos padrões anteriores. Com relação ao Brasil, Fretwell explica que a situação é bem diferente do resto do mundo. O mercado brasileiro sempre foi mais conservador e bem mais regulado.

- O risco é muito mais analisado no Brasil. Existe um controle forte para a criação de novos produtos e o perfil é mais conservador. Lá fora o sofrimento foi muito maior - observa.



RECOMENDAÇÕES

Siderurgia em retomada?

A World Steel Association (Worldsteel) informou que a produção mundial de aço bruto no mês de agosto reduziu 5,4% na comparação anual. No acumulado do ano a produção caiu 18,2%. A notícia é vista pelos analistas do banco Fator como positiva para o setor. As regiões mais afetadas do mundo com a crise, América do Norte e Europa, mostram recuperação, que embora tímida, evidencia os efeitos dos esforços do setor, principalmente em redução de estoques e paradas de produção. Em alguns países, inclusive, parte do parque industrial paralisado teve a sua produção retomada. Entretanto, os números continuam em patamar inferior comparativamente aos de 2008. A indústria doméstica, depois de seguidos meses de contração no preço, começa a conseguir aumentos, situação que pode amenizar a pressão sobre as margens nos próximos meses. A recomendação é de recomendação de manutenção para CSN, Gerdau e Usiminas e preços-alvo de R$ 55,20, R$ 23,90 e R$ 44,60 respectivamente, para junho de 2010.



Gafisa

O Citigroup elevou a recomendação das ações da Gafisa, de venda para manutenção, além de aumentar o preço-alvo, de R$ 18 para R$ 32. De acordo com os analistas da instituição, o aumento do preço-alvo das ações está relacionado à melhora nas vendas as companhia diante do cenário macroeconômico mais forte. Além disso, o guidance agressivo e o impacto positivo do programa “Minha Casa, Minha Vida” também foram responsáveis pelo otimismo. Os especialistas alertam, entretanto, que não descartam uma emissão de novos papéis da Gafisa nos próximos 12 meses.



Agenda

A segunda-feira é marcada pela cerimônia de adesão da Tivit Terceirização de Processos, Serviços e Tecnologia S.A. ao Novo Mercado. O evento acontece, a partir das 9 horas, no Espaço BM&FBovespa. Na abertura do pregão, às 10h, terá início a negociação das ações ordinárias da companhia, sob o código TVIT3. Com a TIVIT, sobe para 158 o número de empresas que participam dos segmentos diferenciados de Governança Corporativa da BM&FBOVESPA, sendo 102 no Novo Mercado, 18 no Nível 2 e 38 no Nível 1. A empresa também passa a integrar a carteira do Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC).



Curso análise gráfica

A Apimec SP está com inscrições abertas inscrições para curso de análise gráfica, que acontece em São Paulo entre os dias 5 e 7 de outubro. O curso será ministrado por Leandro Martins, responsável pelo departamento de análise técnico da Técnica Assessoria de Mercado de Capitais e abordará comparações com a análise fundamentalista, a teoria de Dow e ampla gama de conceitos da análise gráfica. O investimento é de R$ 800 para o público em geral, R$ 600 para estudantes e R$ 500 para associados da Apimec.



Livro

Aprenda as estratégias da ciência da influência pessoal

Sucesso na lista dos mais vendidos do “New York Times”, Sim! 50 Segredos da Ciência da Persuasão (foto) apresenta uma série de estratégias baseadas em pesquisas científicas sobre a influência social. O objetivo do livro é promover o conhecimento acerca dos processos psicológicos que fundamentam o nosso modo de influenciar os outros e direcionar os comportamentos a resultados positivos. Através do uso de uma linguagem simples, exemplos e depoimentos, os autores mostram como mudanças sutis de atitude podem convencer as pessoas a dizer “sim” aos seus pedidos e alcançar impressionantes resultados. Os conselhos são práticos e podem ser usados no trabalho, na vida social e familiar. O livro é uma publicação da Editora Record, conta com 304 páginas e custa R$ 32,90.



 

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