13/07/2009 - 11:07
A sobra de energia elétrica provocada pela retração da economia nacional já equivale a quase um Complexo do Rio Madeira (que inclui as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio). Antes do agravamento da crise, no ano passado, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) previa uma carga de demanda de energia da ordem de 55.504 megawatts (MW) médios para 2009. Com o recuo do consumo, esse número foi revisado para 52.422 MW médios - uma queda de 3.082 MW médios (quando prontas, as usinas do Madeira terão 4.115 MW médios).
Os dados constam do último Plano Anual de Operação Energética (PEN) 2009, referente ao primeiro quadrimestre. Os cálculos do ONS são baseados na premissa de que o Produto Interno Bruto (PIB) do País crescerá 2% em 2009 e 4,1% ao ano no período de 2010-2013. A próxima revisão deverá ser concluída em setembro e não será surpresa se o ONS fizer novos ajustes.
Ao contrário da recuperação que houve nos meses de fevereiro e março, a partir de maio a demanda de energia ficou abaixo dos 50 mil MW médios. Em seu relatório mensal, o operador do sistema afirma que “os sinais de recuperação do setor industrial ainda não foram observados no total da carga de energia”.
Captura de receita pode resolver diferença de tarifas de energia para baixa renda
O problema da diferença de tarifas de energia elétrica, que afeta principalmente os consumidores de baixa renda das regiões mais pobres do país, pode ser resolvido por meio do princípio da captura de receita, sem que sejam criados novos encargos para a sociedade.
A proposta será apresentada à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no próximo dia 16, durante fórum promovido na Casa da Ciência, pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel/UFRJ).
O coordenador do Gesel, Nivalde de Castro, disse à Agência Brasil que a reação das distribuidoras de energia elétrica ao projeto foi positiva, já que elas também serão beneficiadas.
- Vai diminuir a inadimplência e as perdas não-técnicas, o chamado “gato” - explicou o economista.
O Gesel analisou as diferenças de tarifas entre os estados brasileiros e verificou que isso é normal, já que se leva em consideração a estrutura de custo de cada área de concessão.
- Na cidade do Rio, por exemplo, onde a população é grande e a atividade econômica concentrada, a tarifa acaba sendo barata, porque [há] muita gente consumindo em um espaço muito pequeno e não é preciso fazer investimento em muitas linhas de transmissão. Isso garante uma tarifa baixa - comentou.
Em regiões menos desenvolvida do País, no entanto, ainda é preciso construir linhas de transmissão. O fato de a população nessas localidades ser menor, o mesmo ocorrendo em relação à atividade econômica, implica aumento do investimento, que é dividido por um número de consumidores de energia mais reduzido.
- Por isso é que nas regiões menos desenvolvidas, a tarifa é mais cara e, nas mais desenvolvidas, a tarifa é mais barata, de maneira geral - disse.
Castro alertou que esse fato pode ser prejudicial ao desenvolvimento econômico e social do país, “porque a energia elétrica é um insumo básico para a atividade econômica e para as famílias”.
Agência Brasil
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