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26/06/2009 - 16:06

A oferta inicial de ações (IPO - sigla em inglês) da Visanet, com certeza é um divisor de águas, tanto por conta do volume da oferta quanto pela polêmica sobre a retirada de corretoras da oferta, que prejudicou as pessoas físicas. A exclusão de 23 corretoras do processo de colocação das ações da Visanet ainda deve dar muito que falar.
Caso as ações da companhia, que saíram cotadas a R$ 15, no teto do intervalo das estimativas dos coordenadores da oferta, comecem o dia em alta na segunda-feira, o que é bem provável devido à elevada demanda, as pessoas físicas que reservaram ações através destas instituições terão prejuízo.
Apesar de o período de reservas dos papéis para investidores não-institucionais ter sido prorrogado
Diversas corretoras, que permaneceram na oferta, aceitaram a abertura de novas contas somente até o meio-dia. Na TOV, por exemplo, o contrato de abertura de conta deveria ser assinado e entregue na corretora, juntamente com a cópia de alguns documentos, até as 14 horas. Nas corretoras Título, Socopa, Prosper, Interfloat, Petra, Concórdia e Win, por volta das 13 horas já não era mais possível abrir contas ou fazer reserva.
Mesmo assim, a oferta foi tida como "um sucesso". O montante levantado configura a oferta da VisaNet como o maior IPO da história brasileira, atendendo às expectativas
Mas e quem ficou de fora sem ter culpa? Não houve tempo hábil para que se fizesse uma análise aprofundada se as 20 corretoras acusadas de vazamento de informações e propaganda da oferta cometeram mesmo o engano. Ao mesmo tempo, a punição dada a estas corretoras pelo coordenador líder, o Bradesco, acabou por punir a pessoa física que seria participante da oferta. Para fontes do mercado, a medida de exclusão deveria ter sido seguida por um aumento maior do prazo da oferta, de forma a permitir que estes investidores fizessem seu cadastro em outra instituição. Isso não ocorreu e pode ser razão de processos por parte de quem ficou de fora.
O setor e seus atrativos
O setor de cartões tem apresentado elevadas taxas de crescimento no Brasil. De 2006 a 2008, o volume financeiro de transações teve uma taxa incremento anual acima de 24%. A expectativa é de que o uso do cartão continue crescente. Na comparação entre as duas representantes do setor, a Visanet registrou lucro líquido de R$ 1,393 bilhão no ano passado, um número 26% maior que o da Redecard. Em termos de margem Ebitida que mostra a rentabilidade da companhia, em 2008, a Redecard registrou 69,4%, enquanto que a Visanet ficou em 62,3%.
Uma vida de gestão de riscos
Sem sombra de dúvidas, uma das lições que a crise financeira internacional deixou foi a respeito da importância da gestão de riscos e da governança corporativa. O especialista da Protiviti (logomarca acima), Waldemir Bulla. lembra que, hoje, a questão do gerenciamento de riscos é questão de sobrevivência para as companhias. Na sua avaliação, gerenciar bem os riscos torna-se uma necessidade cada vez mais presente, pois ter boas práticas de governança corporativa pode representar "dinheiro no bolso".
- É um indicativo de que a empresa é saudável financeiramente - ressalta.
Antes da abertura econômica no Brasil, iniciada durante a Era Collor, não havia o problema da competitividade e qualquer ineficiência poderia ser repassada aos preços. Isso mudou.
- Agora, as empresas precisam ser competitivas e os investidores estão mais seletivos e tendem a dar prioridade para quem tem governança corporativa - alerta. De acordo com Bulla, a febre de aberturas de capitais, vivenciada há dois anos gerou desconforto dos investidores quanto às práticas das companhias. Por este motivo, agora a visão de quem quer aplicar em uma nova empresa mudou e o mercado atingiu certa maturidade.
Bulla destaca que o mercado brasileiro foi menos afetado pela crise.
- Foi menos traumático e os movimentos de melhora já vem sendo sentidos - avalia.
Ele lembra que a crise também trouxe aspectos mais positivos.
- Antes vivíamos em uma bolha. Os padrões de oferta e procura não eram bem objetivos - diz. A crença é de que a economia brasileira comece a retomar até o fim do ano e em 2010, ele espera crescimento.
Bem antes dessa nova fase do mercado, Bulla já alertava para a importância de gerenciar os riscos. Sua vida profissional sempre foi ligada à gestão de riscos. Com 28 anos de experiência o executivo foi um dos responsáveis pela implantação e desenvolvimento da área de risk consulting da Arthur Andersen no Brasil, além de passagens relevantes como diretor de Business Risk Services da Ernst & Young e diretor de auditoria interna da Energias do Brasil. Desde 2006, Bulla é sócio-diretor da Protiviti Brasil, uma das principais consultorias do mundo, especializada em auditoria interna, governança corporativa e gerenciamento de riscos.
As lições aprendidas na vida profissional valem também para a vida pessoal. Bulla faz a gestão de risco em todos os segmentos e, por isso, nunca se arriscou a praticar qualquer esporte radical.
- É preciso fazer a gestão do risco profissional, pessoal e do casamento - brinca.
Quando não está preocupado com os riscos, o descanso é obtido através da leitura, cinema, teatro e caminhada.
Ana Borges
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