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Ana Borges

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26/06/2009 - 16:06

E os minoritários?


 


A oferta inicial de ações (IPO - sigla em inglês) da Visanet, com certeza é um divisor de águas, tanto por conta do volume da oferta quanto pela polêmica sobre a retirada de corretoras da oferta, que prejudicou as pessoas físicas. A exclusão de 23 corretoras do processo de colocação das ações da Visanet ainda deve dar muito que falar.

Caso as ações da companhia, que saíram cotadas a R$ 15, no teto do intervalo das estimativas dos coordenadores da oferta, comecem o dia em alta na segunda-feira, o que é bem provável devido à elevada demanda, as pessoas físicas que reservaram ações através destas instituições terão prejuízo.

Apesar de o período de reservas dos papéis para investidores não-institucionais ter sido prorrogado em um dia por causa da exclusão, o tempo para que estes investidores conseguissem fazer a reserva em outra corretora foi muito pequeno. O prazo final para reservas de ações, que se encerraria na quarta-feira, foi estendido até as 16 horas da quinta. No entanto, os investidores pessoas físicas tiveram muita dificuldade em fazer seus pedidos.

Diversas corretoras, que permaneceram na oferta, aceitaram a abertura de novas contas somente até o meio-dia. Na TOV, por exemplo, o contrato de abertura de conta deveria ser assinado e entregue na corretora, juntamente com a cópia de alguns documentos, até as 14 horas. Nas corretoras Título, Socopa, Prosper, Interfloat, Petra, Concórdia e Win, por volta das 13 horas já não era mais possível abrir contas ou fazer reserva.

Mesmo assim, a oferta foi tida como "um sucesso". O montante levantado configura a oferta da VisaNet como o maior IPO da história brasileira, atendendo às expectativas do mercado. Segundo informações da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), foram colocadas 559.813.928 ações ordinárias da companhia, com exercício do lote principal, do suplementar e de parte do adicional, configurando uma captação de R$ 8,397 bilhões. Após o encerramento do período de reservas, a empresa informou que houve um rateio de 38,35% na oferta de varejo. A OGX Petróleo caiu para a segunda colocação, com a captação de R$ 6,7 bilhões em 2008. Nas demais posições seguem a Bovespa Holding (R$ 6,6 bilhões), a BM&F (R$ 6,0 bilhões) e a Redecard (R$ 4,6 bilhões).

Mas e quem ficou de fora sem ter culpa? Não houve tempo hábil para que se fizesse uma análise aprofundada se as 20 corretoras acusadas de vazamento de informações e propaganda da oferta cometeram mesmo o engano. Ao mesmo tempo, a punição dada a estas corretoras pelo coordenador líder, o Bradesco, acabou por punir a pessoa física que seria participante da oferta. Para fontes do mercado, a medida de exclusão deveria ter sido seguida por um aumento maior do prazo da oferta, de forma a permitir que estes investidores fizessem seu cadastro em outra instituição. Isso não ocorreu e pode ser razão de processos por parte de quem ficou de fora.



O setor e seus atrativos

O setor de cartões tem apresentado elevadas taxas de crescimento no Brasil. De 2006 a 2008, o volume financeiro de transações teve uma taxa incremento anual acima de 24%. A expectativa é de que o uso do cartão continue crescente. Na comparação entre as duas representantes do setor, a Visanet registrou lucro líquido de R$ 1,393 bilhão no ano passado, um número 26% maior que o da Redecard. Em termos de margem Ebitida que mostra a rentabilidade da companhia, em 2008, a Redecard registrou 69,4%, enquanto que a Visanet ficou em 62,3%.



Uma vida de gestão de riscos



Sem sombra de dúvidas, uma das lições que a crise financeira internacional deixou foi a respeito da importância da gestão de riscos e da governança corporativa. O especialista da Protiviti (logomarca acima), Waldemir Bulla. lembra que, hoje, a questão do gerenciamento de riscos é questão de sobrevivência para as companhias. Na sua avaliação, gerenciar bem os riscos torna-se uma necessidade cada vez mais presente, pois ter boas práticas de governança corporativa pode representar "dinheiro no bolso".

- É um indicativo de que a empresa é saudável financeiramente - ressalta.

Antes da abertura econômica no Brasil, iniciada durante a Era Collor, não havia o problema da competitividade e qualquer ineficiência poderia ser repassada aos preços. Isso mudou.

- Agora, as empresas precisam ser competitivas e os investidores estão mais seletivos e tendem a dar prioridade para quem tem governança corporativa - alerta. De acordo com Bulla, a febre de aberturas de capitais, vivenciada há dois anos gerou desconforto dos investidores quanto às práticas das companhias. Por este motivo, agora a visão de quem quer aplicar em uma nova empresa mudou e o mercado atingiu certa maturidade.

Bulla destaca que o mercado brasileiro foi menos afetado pela crise.

- Foi menos traumático e os movimentos de melhora já vem sendo sentidos - avalia.

Ele lembra que a crise também trouxe aspectos mais positivos.

- Antes vivíamos em uma bolha. Os padrões de oferta e procura não eram bem objetivos - diz. A crença é de que a economia brasileira comece a retomar até o fim do ano e em 2010, ele espera crescimento.

Bem antes dessa nova fase do mercado, Bulla já alertava para a importância de gerenciar os riscos. Sua vida profissional sempre foi ligada à gestão de riscos. Com 28 anos de experiência o executivo foi um dos responsáveis pela implantação e desenvolvimento da área de risk consulting da Arthur Andersen no Brasil, além de passagens relevantes como diretor de Business Risk Services da Ernst & Young e diretor de auditoria interna da Energias do Brasil. Desde 2006, Bulla é sócio-diretor da Protiviti Brasil, uma das principais consultorias do mundo, especializada em auditoria interna, governança corporativa e gerenciamento de riscos.

As lições aprendidas na vida profissional valem também para a vida pessoal. Bulla faz a gestão de risco em todos os segmentos e, por isso, nunca se arriscou a praticar qualquer esporte radical.

- É preciso fazer a gestão do risco profissional, pessoal e do casamento - brinca.

Quando não está preocupado com os riscos, o descanso é obtido através da leitura, cinema, teatro e caminhada.



Ana Borges



 

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