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colunista de 59341

S. Barreto Motta

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25/03/2009 - 21:03

Longa vida ao "Minha Casa, Minha Vida" de Lula



Há muitos questionamentos sobre o programa habitacional de Lula. Diz-se que é mais eleitoral do que qualquer outra coisa; outros afirmam que é assistencialista, por prever subsídio excessivo para pessoal de baixa renda; o próprio nome beira o demagógico: "Minha Casa, Minha Vida". O ex-prefeito César Maia afirma que a destinação de R$ 12 bilhões do FGTS é inviável, pois significaria comprometer 52% do patrimônio líquido do fundo em época em que aumentam os desembolsos, com saques em profusão. Afirma-se também que sua execução é difícil, por não haver exato planejamento entre suprimento de material, serviços, liberação de terrenos, financiamento etc. E, como se sabe, a grana anda curta em Brasília.

No entanto - sem qualquer ironia - é melhor ter-se um programa de habitação com problemas do que não tê-lo. Mesmo que as ousadas metas não sejam atingidas, a iniciativa é salutar e o sucessor - ou sucessora - de Lula será obrigado a mantê-lo; quem terá coragem de acabar com um programa tão popular? Antes do governo militar, o financiamento habitacional era concentrado na Caixa Econômica e, por não ter correção monetária, era uma bênção para quem dele participava, mas, obviamente, inviável.

Os militares instituíram a correção monetária e fizeram um sistema de cooperativas para baixa renda, outro sistema para classe média e um terceiro para renda alta. De início, tudo funcionou muito bem, até que o país entrou em estagflação - mistura de recessão com inflação: se a prestação fosse alta, o cidadão não poderia pagar e, se fosse baixa, quebrava o sistema financeiro habitacional, o que acabou acontecendo. Falava-se muito mal do BNH, mas logo a população viu que era ruim com ele, mas pior sem ele, pois a favelização hoje abraça São Paulo, Rio, cidades turísticas como Ouro Preto e até a elogiada Curitiba.

Portanto, com todos os defeitos que tenha - inclusive o açodamento de seu lançamento - o "Minha Casa, Minha Vida", deverá trazer um saldo positivo para a sociedade, contribuindo para reduzir um déficit habitacional superior a 10 milhões de unidades.



Juros baixos

Nos últimos anos, todo mundo reclamou dos juros altos - com total razão. Afinal, qual é a conta para o governo - e a sociedade - com juros básicos elevados sobre uma dívida pública de R$ 1,3 trilhão? Mais de R$ 200 bilhões por ano, fora a parcela que o governo é obrigado a rolar, por não ter como pagar.

Mas, com a esperada queda dos juros, já são levantados alguns novos problemas. Um deles é o da caderneta de poupança, que poderá render mais que fundos de investimento, que pagam Imposto de Renda e ainda estão sujeitos a taxa de administração dos bancos. Comenta-se que nem mesmo a base aliada, na Câmara, pretende permitir redução da rentabilidade da caderneta.

Outro ponto franco está nos fundos de pensão. Com juros altos, os administradores podiam deixar de lado o mercado de risco, para cumprir as metas atuariais - em geral de 6% ao ano acima do INPC. Com juros baixos e instabilidade no mercado de ações, ninguém sabe como atuarão os gestores dos bilionários fundos de pensão.



Petrobras

A Petrobras está procurando reduzir genericamente os preços de todos os serviços e produtos contratados. Isso está gerando grande embate com empresários, pois todos alegam que os números de seu setor não permitem grandes diminuições nos preços - afinal, salários têm subido no Brasil, itens importados e outros insumos.

Sabe-se que os estaleiros, que têm no sistema Petrobras-Transpetro seu principal cliente, optaram por política de entendimento, sem confronto. Já outros integrantes do caderno de serviços da Petrobras andam mais agitados e se queixam dos atrasos da gigantesca empresa.



Fiat e CSN

O polêmico Relatório Reservado garante que a Fiat do Brasil pretende remeter, para a matriz italiana, metade do seu lucro de 2008, que atingiu R$ 1,8 bilhão. A se confirmar a notícia, serão R$ 900 milhões viajando rumo à Itália.

A deputada estadual Inês Pandeló (PT-RJ) mira na CSN. Afirma que, desde dezembro, a companhia do grupo Steinbruch demitiu 1,2 mil pessoas e ameaça com novas liberações de mão-de-obra.



Codesp inspeciona Tecondi

Nesta quinta-feira, o presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Roberto Correia Serra, visita as obras de expansão do Terminal para Contêineres da Margem Direita (Tecondi), em Santos. Com previsão de gastos de R$ 180 milhões, o Tecondi pretende passar da atual capacidade de 318 mil TEUs (contêineres de 20 pés ou equivalentes ) para 700 mil.

Informa o Tecondi que, até agora, já foram fixadas cerca de 300 estacas - do total de 2,5 mil necessárias - utilizados 550 metros cúbicos de concreto e 533 toneladas de aço. A expansão deverá estar concluída no primeiro trimestre de 2010 - quando a crise deverá ter passado e a demanda por transporte vai aumentar.



Crise nas estradas

A crise chegou aos caminhoneiros autônomos, um exército de meio milhão de pessoas pelo Brasil. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que sumiram quase metade das cargas desses profissionais e, em todos os modais, a queda foi de 20%. No terminal Fernão Dias, em São Paulo, maior posto de cargas do Brasil, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, o movimento começou a cair em dezembro.

A quantidade máxima de caminhões no terminal Fernão Dias em períodos normais é de 800 veículos e a espera dos motoristas por uma carga não passa de 12 horas. Hoje há cerca de 1.200 veículos espalhados por todos os cantos do terminal e a espera média pulou para uma semana.

A situação é mais grave para quem teve a ousadia de "trocar de sapato" e resolveu investir em um caminhão novo - de maior eficiência energética e menos poluente. Com a prestação a pagar e fretes em queda, dono da caminhão novo vive uma crise extra. Os líderes do setor querem que o governo reduza o valor do óleo diesel - responsável por 70% do frete - e ajude na renegociação das dívidas entre os caminhoneiros e as financeiras.

Flávio Benati, presidente da Associação Nacional de Empresas de Transportes Rodoviários e de Cargas (NTC), questiona: "Quem vai renovar a frota diante de um cenário desses?".



Rápidas

A Wilson, Sons, que por meio de suas subsidiárias no Brasil é uma das maiores operadoras integradas de logística portuária e marítima no mercado brasileiro, obteve Ebitda - lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização - de US$ 122,7 milhões em 2008, um avanço de 34,3% sobre 2007 *** O governador do Maranhão, Jackson Lago, dará entrevista a correspondentes estrangeiros, no Rio, nesta quinta-feira. Tentará explicar porque está prestes a perder o mandato, em favor da senadora Roseana, do clã Sarney *** Lei do Gás é o tema de debate, nesta quinta-feira, no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-RJ) e, a partir de 26 de maio será realizado, em São Paulo, o 6° Gas Summit Latin America, com a presença, entre outros, da diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, e do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim *** Começa sexta-feira, em São Paulo, o Fórum Mundial de Tecnologia da Inovação, organizado pela Business Software Alliance *** Realiza-se, nesta quinta-feira, no Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília, o seminário "Direitos humanos e refugiados: crise global dos deslocamentos prolongados" *** O Ministério da Justiça questionou a Globo sobre a exibição do Big Brother Brasil 9 - um programa que está abaixo do padrão Globo de qualidade *** Paulo Sergio Kakinoff é o novo presidente da Audi Brasil *** A quarta-feira foi de bolsa e dólar em alta.



 

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