02/03/2009 - 18:03
ABInBev aposta no Brasil e EUA
Empresa deverá se beneficiar da relativa segurança de seu foco nas Américas, onde o mercado de cerveja resiste
Bruxelas - A belgo-brasileira Anheuser-Busch InBev (ABInBev), maior cervejaria do mundo, deverá se beneficiar da capacidade de absorção à crise do mercado de cerveja em seus dois principais mercados, Estados Unidos e Brasil, acreditam analistas. A fabricante divulga seu balanço anual nesta quinta-feira.
"Nossas análises nos levam a acreditar que não haverá uma queda significativa da receita ou dos lucros, por causa da inelasticidade da demanda de seu mix de produtos (da ABInBev), não obstante o declínio econômico global", disse o diretor de investimentos da LNG Capital, Louis Gargour. A LNG comprou títulos de dívida emitidos recentemente pela ABInBev.
"Enquanto as outras cervejarias enfrentam desafios significativos em seus mercados específicos, como Rússia, África do Sul e Europa Ocidental, a ABInBev deverá se beneficiar da relativa segurança de seu foco nas Américas, onde o mercado de cerveja resiste", disse o analista Jonathan Cook, do Royal Bank of Scotland. Cook estima que, neste ano, a ABInBev obterá 40% de seu Ebitda nos EUA e 29% no Brasil.
O diretor gerente da Beverage Marketing Corporation em Nova York, Brian Sudano, afirmou que as vendas de cerveja em janeiro cresceram até 2% em volume no mundo, mas analistas acreditam que a receita do setor deverá ficar sob pressão, já que, em períodos difíceis, as pessoas tendem a beber mais em casa do que em bares, onde os preços são mais altos. Além disso, os consumidores ficam menos dispostos a pagar mais por marcas prêmio, lembra Rob Mann, da Collins Stewart, em Londres.
As marcas Budweiser e Bud Litem, da ABInBev, parecem se beneficiar desse movimento, de acordo com a Nielsen Company, que acompanha o consumo da bebida. As vendas de marcas que não encaixam na categoria "premium", como a Budweiser e a Bud Liten, cresceram nos EUA 3,7% nas 12 semanas terminadas em 24 de janeiro em comparação com o mesmo período do ano passado.
As pressões sobre as vendas variam de região para região. Na Rússia e a Europa Oriental, alguns consumidores estão trocando cerveja por vodca e outros destilados, uma razão pela qual as vendas nesses países têm declinado rapidamente. A compra da norte-americana Anheuser-Busch pela InBev, no entanto, deve ajudar a proteger o grupo dessa tendência, acreditam analistas. A transação diversificou os mercados da companhia, diminuindo o peso dos mercados russo e da Europa Central e Oriental sobre os resultados da cervejaria. Para o balanço anual que será anunciado nesta quinta-feira, analistas esperam, em média, que a fabricante apresentará receita de 15,68 bilhões de euros (US$ 19,7 bilhões), 8,7% maior que a de 14,43 bilhões de euros de 2007. O Ebitda deverá registrar queda de 2,2%, para 5,25 bilhões de euros.
Os investidores também parecem acreditar que a companhia conseguirá enfrentar a crise econômica atual. Depois da forte queda dos preços das ações no final do ano passado, em parte por causa de uma oferta para ajudar a financiar a compra da Anheuser, seus papéis acumulam alta de cerca de 22% este ano.
A companhia também conseguiu levantar US$ 5 bilhões em títulos de dívida colocados nos EUA e 2,75 bilhões de euros nos mercados europeus. Essa nova dívida permitirá à fabricante pagar metade de um empréstimo de curto prazo de US$ 7 bilhões, que faz parte dos US$ 45 bilhões contraídos para a compra da Anheuser-Busch. A dívida de longo prazo do grupo diminui a pressão para que a companhia venda ativos, algo que os investidores temiam. As colocações de títulos, combinadas com a venda de sua fatia na chinesa Tsingtao, significam que a companhia terá de gerar apenas US$ 3 bilhões por meio da venda de ativos para honrar empréstimos de curto prazo.
"Tudo isso significa que os fatores de risco da companhia mudaram significativamente", disse a analista Kris Kippers, da Petercam em Bruxelas. A ABInbev manteve seu rating em grau de investimento, mesmo com a dívida contraída para a compra da Anheuser-Busch. O grupo reduziu o dividendo e prometeu pagar parcelas significativas dessa dívida nos próximos anos.
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