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FINANCEIRO



29/01/2009 - 17:01

CRISE AMPLIA A FALTA RECURSOS NO SETOR IMOBILIÁRIO



Falta crédito para tocar novos projetos

Empresas estão mais endividadas e as linhas disponíveis nos bancos estão caras demais

O aprofundamento da crise do setor imobiliário fez o movimento de fusões e aquisições entre as companhias estancar, mas ao mesmo tempo atraiu a atenção de fundos e investidores em busca de oportunidades. No momento, as empresas sofrem com problemas de falta de crédito para alavancar os projetos, além da escassez da demanda.

"Ninguém tem recursos para apostar em novo negócio, as companhias estão olhando para a própria casa. O crédito é escasso, as empresas estão mais endividadas e as linhas específicas disponíveis nos bancos estão caras demais. Já os fundos de investimento estão vendo oportunidades, pois os papéis estão bastante descontados", avalia a equipe de pesquisa da Banif Securities.



Sem recuperação



A visão dos fundos de investimento é de que, no momento, não há espaço para a recuperação das cotações, mas no longo prazo, o setor tende a registrar dias melhores. "Existem fundos importantes montando posição dentro das empresas. Não são participações estratégicas para assumir o controle e sim compra de participação devido aos preços atrativos", explica um analista de mercado.

Este foi o caso da Agra Empreendimentos Imobiliários. Recentemente, a companhia informou que o AC0 Fundo de Investimentos Multimercado comprou, por meio do Banco J.P. Morgan, 425 mil ações ordinárias, o que corresponde a 10,07% do capital social da companhia.

"A adquirente declara que não se trata de aquisição do controle da companhia, mas sim de investimento que não busca a alterar a administração, composição de controle ou o regular funcionamento da companhia", destacou o comunicado.



Nenhum fator novo



Segundo a análise da Banif, não é esperado nenhum fator novo que leve as empresas do setor imobiliário retomar o movimento de consolidação. "O mercado está ruim para todos", declaram os especialistas do banco. Desta forma, dificilmente as empresas teriam recursos para fazer uma aquisição ou ampliar a exposição no setor, mesmo as de maior porte. Sem muitas opções, a saída encontrada pelas empresas tem sido a retração dos negócios, venda de terrenos, busca de parcerias para a confecção dos projetos ou injeção de capital de novos acionistas, com o maior interesse dos bancos de investimento.



Troca de controle



Em último caso, fala-se da troca de controle e há ainda as que lançaram ações, como a Brascan Properties. A companhia aprovou a proposta de aumento do capital social dentro do limite do capital autorizado, por meio de subscrição privada, no valor de R$ 200 milhões, a ser realizado mediante a emissão de 100 milhões de novas ações ordinárias. Os acionistas signatários do Acordo de Acionistas comprometeram-se a subscrever a totalidade das ações correspondentes ao seu direito de preferência. O aumento de capital teve por objetivo fortalecer a estrutura de capital da companhia, com o aperfeiçoamento dos seus índices financeiros.



As companhias mais fragilizadas



As companhias mais fragilizadas diante deste cenário são a Abyara, e Inpar. Esta última buscou se reerguer com o processo de aumento de capital e injeção de recursos. No final do ano passado, a Inpar anunciou o aumento do capital social da companhia por meio de subscrição privada, no valor de R$ 180 milhões. Serão emitidas 102.857.143 novas ações ordinárias, ao preço de R$ 1,75, dez vezes inferior ao valor negociado na estréia na BM&FBovespa.

Com a operação, o Paladin, fundo norte-americano especializado no mercado imobiliário, entrou no controle da incorporadora e pode ter até 52% da InPar caso os outros acionistas não exerçam o direito de preferência na compra de ações. Os recursos servirão para que a incorporadora consiga atuar no curto prazo.

Mas o caso da Abyara é bem mais preocupante. A empresa já vendeu parte das operações para fazer caixa e agora busca vender outros ativos, como terrenos e projetos. Esta operação, no entanto, não é simples. No momento, os terrenos estão mais desvalorizados e as interessadas com poucos recursos. "A empresa não tem conseguido vender os terrenos. Não vai vender abaixo do valor que adquiriu em 2007, mas também não consegue vender com lucro", explicam os analistas do Banif.

Ao mesmo tempo, torna-se complicado conseguir parcerias para tocar os projetos, pois o mercado está desaquecido. "A Abyara é a empresa mais exposta, mas não acredito que vá quebrar ou algo assim. No máximo devem ocorrer atrasos nos empreendimentos", afirma um analista de mercado.

Para a Abyara, não está ainda descartada a venda para o investidor espanhol Enrique Bañuelos. Segundo fontes do mercado imobiliário, o espanhol teria voltado a conversar com a empresa este ano. Um dos indicativos de que uma possível negociação esteja ocorrendo é o comportamento das ações da Agra no acumulado do ano.

Apesar de a empresa ser a que se encontra em pior situação dentre o segmento imobiliário, os papéis da Agra são os que acumulam a maior valorização dentre os pertencentes ao setor. Bañuelos teria planos de unir várias empresas do setor imobiliário em uma holding. A Agra e a Abyara seriam as duas companhias em negociações mais adiantadas com o investidor espanhol.



 

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