Afeganistão: 12 anos de guerra e ocupação - Monitor Mercantil

INTERNACIONAL

Afeganistão: 12 anos de guerra e ocupação

28/08/2013 - 18:32:21

Povo sofre com a paranóia dos ‘falcões’ neoliberais

Cabul – Completa-se, em 2013, 12 anos de guerra e ocupação dos EUA no Afeganistão em pleno obscurantismo, contínuos banhos de sangue, rigorosa vigência da Saria (lei muçulmana), domínio do Talibã, enquanto as forças de ocupação (EUA e Organização do Tratado do Atlântico Norte, Otan), junto com o imposto governo do presidente afegão Hamid Karzai, argumentam que estão promovendo as conversações de paz.

Neste ambiente divulga-se, também, o suposto fim da guerra imperialista, proclamada pelos “falcões” neoliberais que assessoravam o então presidente dos EUA, George Bush Jr., como “libertação”, está completando 12 anos de ocupação, com orquestradas e dirigidas reações, tanto no interior do Afeganistão, quanto, também, nos países vizinhos, que em conjunto compõem a rica – em petróleo, gás natural e outros estratégicos recursos minerais – Ásia Central que circunda o Mar Cáspio.

A população do Afeganistão, assim como as dos países vizinhos, expressam suas profundas preocupações sobre o que acontecerá no país e na região após a retirada das tropas estrangeiras ano que vem. Paralelamente, o número de civis desarmados mortos continua aumentando em ritmos velozes, como resultado da guerra imperialista, enquanto o povo afegão não consegue atender a suas necessidades de sobrevivência, por causa da escassez de alimentos, motivada pelos intermináveis entreveros do Talibã com as forças da ocupação e pelas consequências que impõe a ocupação por um lado e a escancarada corrupção que predomina na máquina do governo.



Ocupação e miséria



A ocupação consolida-se mesmo após a proclamada, mas suposta, retirada ano que vem, adaptando as tropas militares ao exercício de pleno controle do Estado, das instituições e infra-estruturas, enquanto prepara-se a paralela exploração dos ricos recursos naturais do país e o gerenciamento das lucrativas obras de reconstrução, cuja execução estará a cargo de monopólios que “vencerão” as licitações internacionais.

Também os EUA e os países da Otan, seus parceiros nesta campanha para “exportação da democracia”, preparam-se para dividir o butim energético e os novos itinerários de oleodutos e gasodutos. Todo este planejamento “estratégico” norte-americana foi confirmado em poucas palavras pelo secretário de Estado, John Kerry, durante sua recente visita ao Paquistão: “As tropas poderão ser retiradas, mas os EUA não retiram-se do Afeganistão”, tornando bem claras as pretensões do neocolonialismo norte-americano na região.

A guerra imperialista no Afeganistão começou em 2001, com a promessa dos EUA de libertarem o povo da presença do Talibã e darem um fim ao obscurantismo dos fanáticos islamitas, sem, contudo, atingir nenhum resultado, considerando que a Saria continua em plena vigência, a corrupção mantém seu predomínio e a cultura e o tráfico de ópio e outros narcóticos continuam livremente, representando a fonte básica de arrecadações do Talibã, com silenciosa tolerância e coparticipação das forças de ocupação.

O povo do Afeganistão vive a “democracia” das forças de ocupação, com aumento das mortes de civis desarmados, sendo vítima permanente dos planos do imperialismo.



Problemas



Hoje, a população do Afeganistão enfrenta um altíssimo nível de desemprego, pobreza e miséria, enquanto busca permanentemente um refúgio seguro, tanto contra a guerra, a fome e as catástrofes naturais. O inverno e o frio somam-se aos inimigos dos afegãs, os quais, ano após ano, travam uma batalha adicional com a morte, por causa da inanição.

Dezenas de crianças morrem, anualmente, nos acampamentos de refugiados que não podem lhes garantir uma sobrevivência segura, enquanto, a Organização das Nações Unidas (ONU) pede sempre com a mesma hipocrisia “ajuda adicional” aos benfeitores ocidentais que estão massacrando o país.

Fator adicional que eleva verticalmente o número de civis desarmados mortos, ultimamente, é que as forças dos EUA e da Otan estão de saída do país, deixando para trás intactos imensos campos minados e outros materiais bélicos que continuarão matando e destruindo.

De acordo com dados da própria ONU, o número de vítimas civis desarmadas no Afeganistão registrou este ano aumento da ordem de 23%, por causa da guerra imperialista, em relação ao ano passado. Especificamente, o número de mortes de civis desarmados aumentou em 14% durante o primeiro semestre deste ano, e o de feridos, em 28%. Segundo os dados da ONU, “cada vez mais mulheres e crianças são mortas pelos crescentes entreveros terrestres entre forças do governo afegão e elementos contra o governo”.

Característico é o esforço da ONU de isentar totalmente as forças de ocupação pelo massacre da população civil pelo 12º ano consecutivo, sustentando que “para 74% das mortes de civis desarmados, a responsabilidade é dos guerrilheiros do Talibã, 9%, das forças filogovernamentais e 12%, os entreveros terrestres entre elementos filogovernamentais e antigovernamentais”.



Georges Pezmatzoglu

Enviado especial.



Imperialistas disputam butim de US$ 1 trilhão

O atual inimigo dos EUA é o Talibã, que, como antigo aliado, treinado, armado e financiado pela Agência Central de Inteligência (CIA), contra a União Soviética, continua jogando o jogo dos imperialistas aumentando seus ataques. No mesmo status quo integra-se, também, a “preocupação” pelos crescentes ataques que o Talibã realiza, tendo penetrado no interior das forças afegãs de segurança, as quais, supõe-se, provocam questionamentos sobre o futuro da segurança do país.

Assim, justificam-se plenamente, as declarações da Otan e dos EUA que “as forças de ocupação permanecerão no país enquanto for preciso”, passando a serem caracterizadas como “pessoal de treinamento”. O Talibã, por motivo dos “processos de paz”, já inaugurou escritório de representação no Catar, declarando-se disposto a iniciar conversações, enquanto continua intensificando seus ataques.

Destaca-se que o Afeganistão já tornou-se, também, campo básico para as disputas endoimerialistas, recebendo novos reivindicantes de fatias do bolo de suas riquezas, com a Rússia, a Turquia, a Índia e a China confirmando com todas as letras seus interesses sobre o país e os vizinhos.

A Turquia declara, claramente, que não pretende retirar-se do Afeganistão (como país-membro da Otan, mantém tropas no país), enquanto assumiu iniciativas para encontros “a favor da pacificação”, com a participação do governo fantoche do Afeganistão, assim como do Paquistão.

Enquanto isso, já consolida os alicerces de sua forte presença, com pretexto o Islã, e já manifestou, oficialmente, o desejo de penetrar economicamente no Afeganistão com vistas ao aumento do número de contratos que formalizou para execução de obras de reconstrução do país, sempre em nome da “religião comum” e sempre em benefício dos interesses imperialistas.

Paralelamente, a China continua fortalecendo seu papel no controle e exploração das fontes de riqueza do Afeganistão, já tendo vencido todas as licitações para exploração das minas de cobre, cujas reservas são consideradas e extraordinária importância.

Somam-se a tudo isso, também, as avaliações de geólogos sobre a existência de jazidas de petróleo e gás natural, assim como de grandes reservas de ferro, lítio, ouro e outros minérios estratégicos avaliadas, em princípio, em US$ 1 trilhão, tornando o país excepcionalmente atraente.



Quem paga a conta?



O custo da guerra imperialista estão pagando caro, tanto o Afeganistão, quanto o Paquistão, o qual já está praticamente envolvido na guerra, e no qual o Talibã treina seus combatentes e mantém seu refúgio.

Há 12 anos, o Paquistão vive uma guerra não declarada, com seu governo participando dos planejamentos imperialistas e mantendo-se fiel amigo e aliado dos EUA, enquanto estes prosseguem realizando durante anos ataques com aeronaves não tripuladas contra civis desarmados, os quais em seguida são “identificados” como combatentes do Talibã.

A exemplo do Afeganistão, também o Paquistão vive a pobreza e a miséria em paralelo com as consequências das operações militares do exército paquistanês nas regiões das tribos do país.

O Governo do Paquistão aceita os “benefícios” que sua aliança com os EUA lhe proporciona. Principalmente, porque afasta todos os riscos de uma invasão da vizinha Índia contra seu território.



Georges Pezmatzoglu

Enviado especial.

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