Sob controle - Monitor Mercantil

FATOS

Sob controle

29/04/2013 - 20:25:12

"A Venezuela tem problemas econômicos, mas todos são perfeitamente solucionáveis. Em outras palavras, a economia venezuelana não tem um problema de sustentabilidade." A análise é do co-diretor do Center for Economic and Policy Research, de Washington, Mark Weisbrot, que, pouco antes da última eleição de Hugo Chávez, ano passado, publicou informe sobre a economia venezuelana descartando a catástrofe prevista pelos críticos mais apocalípticos do chavismo.

Ajuste

Perguntado se, depois das duas desvalorizações cambiais promovidas por Nicolás Maduro, nos últimos dois meses antes da sua eleição, manteria o diagnóstico, Weisbrot disse: "Em 2006, nos Estados Unidos, houve uma bolha imobiliária que, inevitavelmente, iria terminar em desastre. Era um desequilíbrio insustentável. Na Venezuela, as desvalorizações eram necessárias em um regime de câmbio fixo, porque sua inflação era maior que a de seus sócios comerciais. Nos anos 70, isso não teria importado, porque uma inflação de 20% era comum. Agora, como as outras economias têm inflação mais baixa, a moeda venezuelana termina se valorizando. As desvalorizações serviram para corrigir este desequilíbrio", afirma em entrevista ao site Carta Maior.

Déficit sob controle

Para Weisbrot, o aumento de 30% do gasto público e do déficit público para cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB), ocorrido em 2012, não pode ser sustentado por dez anos, mas pode existir por "um tempo considerável" em um país que tem uma estrutura da dívida como a Venezuela: "Em um país exportador de petróleo é preciso fixar-se em duas coisas para analisar a estrutura da dívida: a dívida externa e a interna. A interna é em bolívares e juros zero ou negativo, se se leva em conta a inflação, de maneira que não afeta o governo. Quanto à dívida externa, quando analisada do ponto de vista das exportações, que é o ponto de vista mais estrito, é perfeitamente sustentável. Os juros constituem entre 3% e 4% de suas exportações. Em relação ao PIB, a dívida pública venezuelana não chega a 50%. Em comparação, a União Européia tem uma dívida de 82% e países em crise como Grécia ou Itália superam generosamente os 100%", compara.

Única esperança

A principal crítica dele a Chávez foi não elevar os gastos públicos entre o último trimestre de 2008 e em 2009, o que conduziu a Venezuela a uma recessão por um ano e meio: "Poderiam ter evitado isso. Não creio que voltem a cometer o mesmo erro. A Venezuela não tem o problema do euro. Tem sua própria moeda, de modo que sua vulnerabilidade está no setor externo, na possibilidade de uma crise na balanço de pagamentos. A maioria dos comentaristas contrários ao chavismo, quer dizer, a grande maioria dos que se lê no estrangeiro, aponta para isso, porque é a única via pela qual poderia haver uma crise terminal. Essa crise não vai ocorrer por causa de uma inflação de 20% ou 30%. É um problema, seria melhor que estivesse mais baixa, mas não é uma hiperinflação. A Coréia do Sul teve mais de 20% de inflação durante os anos 70, quando era a economia que mais crescia no mundo. A única esperança para os que querem ver o fim do atual governo é uma crise do balanço de pagamentos. Dada a estrutura da economia venezuelana, não creio que isso seja possível", observa.

Sêmen virtual

A Chácara Naviraí, que nos últimos seis anos vendeu mais de 1 milhão de doses de sêmen no Brasil, aderiu, no último domingo, ao comércio eletrônico. Através do site CR2Rural, pertencente ao Canal Rural, foram comercializados sêmen de touros de raças zebuínas. As vendas, porém, terão a partir desta terça-feira o reforço do comércio tradicional (via telefone). O criador de gado não revelou quanto faturou online.

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